sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O porquê de não conseguir gostar

Porque quando eu era pequena era excluída das brincadeiras simplesmente por ser um viadinho; todos me ignoravam quando eu tentava me aproximar
Porque quando dizia estar triste por não ter amigos sempre me diziam que eu não era interessante, ou legal o suficiente, que a culpa era minha e que eu devia mudar... ninguém nunca me disse que tudo bem ser o que eu era...
Porque quando tinha 12 anos um colega meu, para me ridicularizar na frente dos demais no recreio, tentou abaixar as minhas calcas e introduzir um objeto cilíndro em mim... porque naquele dia tive de chorar em segredo para não ouvir represálias por ser tão afeminado
Porque quando estava na oitava série o meu professor de educação física, um homem casado e de meia idade me traumatizou pelo resto da vida, e nunca consegui ficar com algum homem sem me sentir humilhada ou coagida
Porque minha mãe nunca demonstrou verdadeiramente gostar de mim... nunca quis ouvir sobre o meu dia, nunca me deu colo, nunca disse que eu era bonita ( ou  bonito, visto que na época eu não era uma menina ainda); e ela tinha o poder de me fazer sentir a pessoa mais idiota/carente/chata por eu estranhar aquilo, por me fazer sentir humilhada com só um olhar (e nunca exigi nada dela)
Porque o meu pai nunca me levou para andar de bicicleta; porque nunca disse que me amava... por ter me agredido uma vez que comi uma fatia de pão a mais... pelo tapa que me deu na última vez que nos vimos
Porque a primeira psicóloga que fui (a pessoa que supostamente entende e aceita a todos, que tem formação para ajudar) disse que eu não devia transicionar e que devia cortar os cabelos, quando eu tinha 16 anos, e eu tonta acreditei nela... acreditei que o que eu era ou queria ser, era uma idiotice, algo ridículo... acreditei e por isso perdi uns bons anos da minha vida
Porque notei que as relações são feitas na base da troca, seja dinheiro por amor, beleza por amizade; e inúmeras outras combinações... é sempre necessário ter uma moeda de troca
Porque ficava presa no meu quarto e toda vez que tentava sair tinha de levar uma bronca, mesmo que fosse para ir à padaria, comprar um doce
Porque os gastos, mesmoq ue minha família não fosse pobre, eram controlados de tal forma que até um chiclete de 25 centavos era motivo de discórdia
Porque a vida se tornou uma grande e chata obrigação, já que não me sinto digna de ter qualquer tipo de relação humana, visto que isso seria algo errado... um pecado/blasfêmia eu estar em paz ou ser feliz, ou simplesmente não sofrer
Sinceramente? Não quero gostar de ninguém... não quero ser usada, maltratada, humilhada, diminuída, estuprada, abandonada. Chega de dar poder para as pessoas me destruirem. Não acredito no amor, não acredito nas pessoas e não acredito no futuro. Não estou nessa vida porque quero, e sim  porque sou covarde demias para tentar me matar.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Uma facada no estômago

Vou me formar na facul esse ano. Todos os anos o s formandos fazem um vídeo encenando as situações engraçadas durante a faculdade, que é mostrado num telão, numa festa. Hoje descobri que querem fazer piada com o fato de eu ser trans e tirar sarro da minha situação nesse vídeo. Estou muito triste.
Boa parte do meu sofrimento nos últimos anos foi por me preocupar com o que as pessoas pensam. ue Deus me de foças para quebrar esse ciclo, nesse momento em que mais preciso disso... em que mais preciso encontrar paz... e passar por cima dessa dificuldade. Eles não merecem as minhas lágrimas.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Um dos motivos de eu detestar a minha mãe...

Eu admito, não sou boa em perdoar. Tenho a impressão que com certos tipos de pessoa, não adianta você esquecer ou relevar, porque a) elas não merecem; b) elas vão errar de novo e você vai se sentir idiota de ter perdoado.
Minha mãe nunca foi boa com uma coisa que é fundamental para quem tem filhos: responsabilidade. Talvez seja por isso que eu seja tão ligada nas minhas obrigações, deveres, de forma até meio patológica às vezes... ser criada por uma pessoa como ela deixa tantas cicatrizes, que tudo que eu queria era me diferenciar disso, ser exatamente o oposto.
Ela vivia no mundo dela, com suas próprias necessidades e dramas, e se esquecia de coisas básicas, como nos alimentar, ou ir buscar na escola. Claro que nunca se esquecia dos seus compromissos sociais, para deixar a mim e os meus irmãos sendo cuidados por pessoas que não estavam afim. Isso quando não ia puxar o saco da minha avó, tias ou amigas, e nos deixava com um pai em ressaca, super agressivo que me deixava com medo até de respirar perto dele.
Minha mãe nunca ganhou mal, apesar de não sermos ricos, ela era concursada pública na área da saúde, tinha condições de ao menos não deixar faltar comida rs. E não é que ela quisesse que a gente passasse fome, por maldade ou algo assim. É que por alguma razão, aparentemente, ela não tinha faculdades cognitivas mínimas para entender que seres humanos de menos de 10 anos não sabem cozinhar, não fazem fotossíntese e assim, precisam de alguma ajuda no processo tão supérfluo da alimentação.
Esta criatura não tinha grana para pagar uma escola particular ou um curso de inglês ( mesmo que os seus colegas da mesma área o fizessem), mas tinha dinheiro ( ou crédito), para dar 3 mil para o meu pai bêbado desempregado comprar um carro usado, porque assim, nas palavras dela, ele a deixaria em paz ( obs, isso aconteceu umas três vezes, ele sempre vendia a merda do carro e gastava em bebida).
Falando em escola ( estou rancorosa eu sei...), esta anta não sabia nada sobre a minha vida escolar. Ela sabia apenas que eu era a primeira da classe, o que já era o suficiente, porque assim não daria problemas (sim, já que essa era a minha missão fundamental nesse mundo, não dar problema a uma mente tão complexa e inteligente). Ela não precisava, portanto, ir às reuniões, no máximo mandava a empregada. Não sabia o nome dos meus amigos e porque não dizer... sequer se interessava pelo fato de eu apanhar quase que diariamente depois da quinta série, ou o professor física ficar passando a mão em mim e todas essas violências que infelizmente são rotinas para muitas pessoas transexuais.
Quando eu passei no concurso que permitiu eu ter o trabalho que tenho atualmente, ela melhorou um pouco. Na verdade até antes, porque ainda morava na minha cidade natal eu  joguei tudo isso na cara dela, de uma forma bem agressiva, que é o único jeito de ela entender...e ela melhorou uns 10%
O fato é que agora, sabendo que eu estou mal, pensando em suicídio, isolada, ela nem se importa em fazer uma ligação e perguntar se estou bem. O mais triste, é que de toda a minha família, principalmente depois que me assumi transexual, ela é a mais próxima.
Não, não perdôo.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Né não?

REGRAS DE OURO DOS HOMENS DA INTERNET 

(pelo menos p/qndo se é trans*) 

1 -Pedirá q vc abra sua webcam após o primeiro "oi", ou antes dele;


2 -Perguntará se vc é ativa ou passiva;

3 -Perguntará se vc é operada;

4 -Se convidará p/ir à sua casa depois da quarta ou quinta frase ou o fará msm q vc nunca o tenha visto pessoalmente;

5 -Exibirá fotos pelado ou do pênis em close e perguntará: "gostou? ";

6 -Dirá que está morrendo de saudade de vc - depois dele próprio ter desaparecido por alguns meses sem explicações - quando não, perguntará por que vc sumiu (lembre-se que o desaparecido é ele) ;

7 -Perguntará se vc faz programas;

8 -Dirá que ñ tem preconceitos com trans* pois ele tbm tem amigos gays e em seguida dirá, achando q está arrasando, q vc é mais bonita que muita mulher;

9 -Começará as conversas com "oi delícia", "oi princeza (sic) ", "oi gostosa", "voçe não vai dar uma chanse pra mim? 

10 -Dirá q vc deve beijar mt bem ou que tem cara de safada após a quinta ou sexta frase 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Como superar uma crise?

Tem aquele ditado que em crise se cresce e concordo que quando passamos por uma situação difícil tendemos a melhorar tanto no sentido de conhecimento quando emocionalmente. Todos nós passamos por crises e vamos sobrevivendo, afinal a vida é feita de altos e baixos mesmo, com perdão do clichê.
Às vezes aquela situação difícil que causa uma crise é algo que vai passar mesmo, independente do que você faça. São coisas que estão mais condicionadas à fatores externos. Um exemplo muito citado por aquelas campanhas "it gets better", que falam que a tão difícil fase escolar, para as crianças/adolescentes glbt, vai acabar e as coisas vão melhorar, e é verdade. A vida dessas pessoas não vai dar ficar maravilhosa quando terminarem os estudos, mas só de não ter de encarar tanto preconceito, poder ficar mais próximos de seus iguais, já é alguma coisa.
Agora a maior parte dos problemas/crises não depende só do tempo passar, embora este ajude muito, e sim de um processo mais ativo digamos assim da pessoa, para bolar uma forma de sair daquela merda. Não é fácil, pois o emocional acaba deturpando um pouco a nossa visão, ainda mais em um quadro de depressão. São os casos em que a pessoa deve, mesmo com tudo indo contra, fazer aquele força contrária para alterar algo em si que está contribuindo ou causando muitas vezes, o problema. Inclusive porque se você não aprende nada com aquilo, mesmo que o tempo de conta de melhorar aquela situação você corre o risco de cair em outra coisa parecida/pior e sem recursos intelectivos/psicológicos (pois não os desenvolveu), para sair fora. Um exemplo, a minha mãe aguentou meu pai durante mais de 20 anos com suas bebedeiras e agressões, empurrando com a barriga e esperando que os outros vissem o sofrimento dela e cuidassem de uma cosia que na verdade era responsabilidade dela: tirar ele de casa. Bom, algumas coisas aconteceram e o cara acabou saindo, mas não porque ela fez algo, ela não teve participação importante nisso. Então, se ela encontrar uma outra pessoa com perfil semelhante ao meu pai, ela pode cair na mesma armadilha, porque não aprendeu nada com isso.Seria diferente de uma mulher que juntou forças e deu um jeito de expulsar o agressor da sua vida, ela dificilmente entraria em algo similar de novo. No caso da minha mãe é como se ela tivesse saído do problema mas o problema não saiu dela.
Isso tudo são pensamentos meus... posso estar enganada é claro. Em algum momento do percurso a minha vida ficou muuuito ruim, afinal, mal consigo sair de casa nas minhas próprias férias, isso não é normal, e acho que é um sintoma do quanto estou "estragada" por assim dizer. Acho que aprendi muita coisa errada e desaprendi as coisas certas, sei lá... O fato é que tudo está uma bagunça, e não sei como fazer para melhorar.
É necessário me reencontrar, saber quem eu sou de verdade. Como escrevi na minha primeira postagem, há alguns meses, não sei mais que tipo de música eu gosto, não sei o que me incomoda o que me agrada, perdi o parâmetro de muitas coisas básicas, fiquei despersonalizada demais.
Uma lista do que precisa ser mudado urgentemente:
-Criar laços: socializar, ter amigos, colegas, vida social...
-Estudar mais: minha auto estima está, bem ou mal, atrelada à isso. Sem contar que preciso estudar para passar no concurso que quero e nesse ritmo isso não vai rolar.
-Terminar a transição.
-Fazer as pazes comigo mesma.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Queria desabafar hoje porque acho que eu não devia estar nesse mundo, penso que sou um desperdício de matéria orgânica. Sei que não fiz nada errado e que tem gente muito pior que eu por aí, mas o fato é que eu odeio a minha vida. Odeio ser esse robô.  E estou cansada de sofrer, de me esconder, de me sentir sozinha o tempo todo. Não consigo enxergar sentido nenhum nessa vida, se é que posso chamar isso de vida pois só estou vegetando. Esta fase ruim está durando muito, queria que isso tudo acabasse logo.

domingo, 28 de julho de 2013

Estive em uma fase muito estressante do meu trabalho e geralmente, após algum evento que consome muito, física e emocionalmente, eu me sinto meio vazia. Estava uma pilha nesses últimos dias, queria esganar todo mundo, e acho que não consegui esconder muito bem isso. Graças a Deus deu tudo certo... só que agora é como se eu estivesse de ressaca. E quando se tem muita coisa pra fazer, voltar a um ambiente quieto com tantas vozes internas é algo que faz mal.
Ontem fui à psicóloga novamente, e ela disse que eu me cobrava demais por não ter sido como eu queria em situações passadas que não podem ser mudadas, afinal você faz o melhor que pode naquele momento. E tenho a impressão que é mais do que necessário entender isso emocionalmente e não ficar me angustiando porque não fiz isso ou aquilo. É muito difícil equilibrar as cobranças da sociedade que exige que todo mundo seja perfeito.
Agora que estou mais tranquila sem tanta pressão no trabalho, vejo que continuo meio arredia. Pra ser bem sincera o que eu queria era sair por aí insultando e batendo em todas as pessoas cretinas que encontrasse. A raiva é a única forma de garantir que eu possa de defender. E não é algo no sentido de explodir na cara da pessoa... muito pelo contrário, eu consigo me forças a ficar com a cabeça fria para ser mais assertiva e o mais importante, acreditar verdadeiramente que não preciso ser pisada e que mereço ser respeitada. Quando não sinto raiva, isto não acontece... aí eu acho que estou sempre errada, e se alguém me dá um coió é porque mereço mesmo e tenho que pedir desculpas.
Algumas pessoas tem o poder de te colocar pra baixo porque elas tem uma aura constante de superioridade e maldade que as faz arquitetar as coisas de um jeito bem sórdido. No ambiente em que vivo, onde a maioria das pessoas é intelectualmente avançada, essa característica é muito frequente. E é nessas horas que a raiva me ajuda a ter mais jogo de cintura.

domingo, 21 de julho de 2013

É frustrante às vezes escrever nesse blog, porque não consigo na minha escrita falar sobre tudo que queria da forma que gostaria, e não . Sei que está lá, em algum lugar dentro do meu íntimo mas tem uma barreira. Não tenho certeza até que ponto escrever vai me fazer sentir melhor ou me desestabilizar de tal modo que eu não consiga me reconstruir novamente em tempo hábil para não atrapalhar minha rotina. Mas insisto, mesmo sem ter muita idéia do motivo... penso que em parte é porque se eu escrevo para outros e não apenas para mim mesma, se compartilho algo, fico menos solitária. É só um desabafo.

Bulimia(?)

Como havia falado há algumas postagens atrás, estou acima do peso. Bem acima. Para mim beleza envolver estar magra, ponto. As roupas caem melhor, o rosto fica com os contornos mais definidos, o corpo feminino principalmente fica mais estético quando magro.
Sempre tive obsessão com magreza; minha mãe sempre reclamava que precisava emagrecer, cresci ouvindo isso. Na adolescência, lá pelos 14 anos, comecei a vomitar após comer. Na época eu era muito ansiosa e quando colocava pra fora, dava uma sensação de controle sobre o meu corpo, em contraposição às demais coisas em minha anatomia que não podia mudar/controlar. Não sei se era bulimia, pois eu fazia só de vez em quando, após extravagâncias, como comer chocolate ou pipoca, nunca após as refeições básicas. Lembro que numa aula de educação física o professor mandou a gente calcular o imc e ir falando para ele anotar, o dos meninos estava dando um valor ao redor de 20 e o das meninas bem mais baixo, 18,17, que era o valor que eu tinha... isso fez eu me sentir super bem rs.
Dos 16 anos em diante parei de vomitar, porque ficava boa parte do dia fora de casa e não me sentia à vontade para fazer isso em outros lugares.
O ato de provocar vômito é algo que causa uma certa exaustão, ao menos para mim que não tenho o hábito de fazer isso sempre. Machuca a garganta, às vezes sangra. Mas eu decidi voltar a fazê-lo. E quer saber? Não me importo se eu pegar o costume de fazer isso todo o dia, desde que eu fique magra, desde que eu tenha algum tipo de alívio que tanto necessito. Pode parecer estupidez, não ligo.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Está acabando...

Depois de tantos anos nessa cidade que tanto odeio, finalmente esse ciclo está sendo concluído. Daqui a mais ou menos seis meses vou poder ir embora desse lugar, e melhor ainda, com um salário que me permitirá no começo de 2014, segundo os meus planos, pagar a bendita CRS. Se eu juntasse por mais alguns meses, e optasse por aguardar até agosto ou setembro do ano que vem, poderia fazer com um cirurgião melhor, como Suporn ( embora o que eu vá, provavelmente Kamol , Kunaporn ou Saran, também sejam bons). Eu só quero me livrar disso o mais rápido  possível. Sinceramente, não me importo tanto assim com estética e funcionalidade ( claro que também não quero uma coisa horrível cheia de complicações que tem que fazer zilhões de correções depois), só não suporto mais essa parte do meu corpo.
Deveria ficar feliz, só que o que sinto, além de um alívio por vislumbrar esse final, é uma dor muito grande, porque acho que adquiri muitas cicatrizes emocionais e não sei o quanto disso vou poder superar. Além disso, boa parte do que eu passei poderia ser evitado... bom, não adianta pensar nisso agora.
Ontem fui á Igreja. Estava bem ansiosa, porque aquela situação que me fez sentir muito mal que relatei no último post, tende a voltar a se repetir nos próximos dias. Vou ter de fazer um trabalho com o qual não tenho muita prática e onde as pessoas são bem intolerantes com erros. Mas agora já estou mais calma, afinal, vai passar.
Outra coisa que ocorreu ontem foi que recebi um sms da psicóloga que estou indo, perguntando se estou bem. Achei legal da parte dela a preocupação, mas não gosto disso, fiquei meio incomodada... não sei se ela teve a impressão que estou tão instável assim a ponto de precisar checar como estou, o que não é verdadeiro, acho que dou conta apesar das dificuldades. Raramente deixo a depressão me abater de forma a prejudicar a funcionalidade básica que preciso ter.
Não sei o que será de mim no futuro, mas só de saber que alguma coisa vai mudar pra melhor já é um alívio.

domingo, 14 de julho de 2013

Tristeza

Não tenho muito o que escrever hoje. Voltei agora há pouco do trabalho e aconteceram algumas coisas que me fizeram sentir um lixo...  Mas quero tentar não me martirizar e sofrer à toa.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sexo

Esse é um assunto difícil de escrever. Primeiro porque não tive muitas experiências e segundo porque ainda carrego resquícios de uma educação que nunca abordou muito bem o assunto. Eu sempre lidei muito mal com a questão do desejo, porque isso significava no meu entendimento na época da adolescência, produzir mais testosterona, o que me deixava apavorada, e também a ideia de ter ereções era algo que repudiava. Tanto que só fui me masturbar pela primeira vez quase aos 19 anos. E não foi algo que gostei, apesar da momentânea sensação prazerosa... me senti super mal depois, porque era usar uma parte minha que detestava. Na época eu estava muito estressada com o vestibular e foi uma forma de aliviar a tensão.
O engraçado é que nas minhas fantasias, há muito tempo não consigo imaginar a pessoa com quem estou me tratando com carinho, dizendo que me ama, nada disso. É sempre a pessoa me usando como se fosse um buraco, um receptáculo de esperma, me humilhando ou mesmo me ignorando. Não dá pra pensar algo diferente, porque sinto que não mereço no meu inconsciente.
Há alguns meses atrás eu chamei um cara (olha que louca), que conheci no chat da uol para vir ao me apartamento, estava decidida a ficar com alguém ( já tinha beijado alguns rapazes na balada em outras ocasiões, mas eles não sabiam que eu era trans), e a gente começou a dar uns amassos, ele foi carinhoso comigo, não quis forçar nada, só que a todo o momento eu pensava que queria que acabasse logo... cheguei a fazer sexo oral nele, mas só. E me senti horrível depois. Não queria nem ver a cara dele.. lavei o lençol e as minhas roupas logo depois que ele foi embora. Aí um dia eu estava voltando pra casa, e ele parou o carro    
e me perguntou porque nunca mais tinha ligado pra ele, nossa, foi como se tivesse visto um fantasma... dei uma resposta qualquer e corri direto para o meu apartamento e torci para que ele nunca mais me procurasse.
Curiosamente tenho perfil no Badoo e já procurei algumas outras vezes por sexo na internet, mas sem nunca de fato querer concretizar isso. Acho que é o mais próximo que consigo chegar de ter algum contato sem me sentir tão exposta.
Bom, essa é a minha sexualidade distorcida rsrs

terça-feira, 9 de julho de 2013

Saudades

Tenho saudades da época em que as coisas pareciam ser mais fáceis. Não sei se era mesmo feliz aquela época, mas em comparação a hoje, tinha menos angústias. Assistir os programas da mtv, esperar começar as novas temporadas das séries que eu gostava, a sensação de segurança. Mas sinto falta, principalmente de algo que nunca vivi realmente, a época da faculdade. Sim, eu estive na faculdade, mas não vivi aqueles primeiros anos... a época de caloura, os churrascos, as festas, as repúblicas e todas as descobertas que vêm com essa fase. Sempre fui muito certinha... e extremamente tímida, até pela minha questão de gênero, então evitava me aproximar das pessoas, ficava preocupada apenas em estudar e ir bem nas provas. E eu queria sim naquela época fazer parte daquilo tudo, mas era medrosa demais pra isso, principalmente por toda a pressão psicológica que a minha mãe fazia por já saber que eu era diferente.
Gostaria de ter vivido isso, mas acho que não era possível mesmo, naquela época, e não adianta ficar me culpando por isso, não vai voltar. Espero que algum dia possa vivenciar algo similar; me livrar dessa redoma em que me coloquei.

sábado, 6 de julho de 2013

Minha primeira barbie

Neste blog praticamente só falei de coisas tristes até agora... hoje queria comentar sobre uma lembrança muito feliz da minha vida. Era meu aniversário de 5 anos,, e eu tinha insistido muito para ganhar uma boneca... não sei como, mas minha mãe me comprou uma Barbie, na época fabricada pela Estrela. Lembro que quando fui rasgando o papel de presente e vi aquela boneca foi uma emoção tão grande... acho que nunca fui tão feliz. Então eu tirei ela da caixa e dancei com ela, pegava nos cabelos brilhosos, olhava intensamente como se quisesse aproveitar casa detalhe daquele brinquedo ao mesmo tempo, antes que acabasse.  Estou colocando uma foto da versão da Mattel, que é igual a que tive. Ainda pretendo comprar uma igual no ebay e quem sabe... poder reviver um pouco do que senti naquela época =)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Nova psicóloga

Ontem tive a primeira consulta com a nova psicóloga; ela tem o perfil diferente dos outros, a primeira que fui era uma mulher um pouco mais velha e este último era homem... talvez esse perfil novo possa trazer melhores resultados, vamos ver...

domingo, 30 de junho de 2013

Peso



Este é um tópico bastante difícil para mim, uma vez que este aspecto seria o mais representativo, externamente, de como perdi o controle das coisas. Eu sempre fui magra, com IMC abaixo de 18. Desde que comecei a tomar antidepressivos em 2008, o meu peso foi aumentando, e o apetite também, porém não acho que de forma proporcional. Então cada hora que subia na balança era uma surpresa... primeiro eu vi que tinha ganhado cinco quilos, depois mais cinco, na semana seguinte dois... acabou que atualmente estou 22 kg mais gorda. Meu IMC indica sobrepeso, não chega a obesidade graças a Deus. Só que não preciso dizer o quanto isso faz mal. Ano passado, quando mudei de emprego, consegui perder 15 desses 22 kg.. foi uma época de muito stress, mas aí ganhei tudo de novo, e um pouco mais. No ano anterior a esse, também fiz uma dieta e por quase seis meses, tinha perdido boa parte do peso ( na época não estava tão gorda, foi um processo progressivo), e estava magra novamente, mas aí recuperei de novo. Até alguma meses atrás estava fazendo academia e fazendo caminhadas, mesmo que sem constância... só que chegou uma hora que... desisti disso também. E joguei tudo para o alto... pensei, quer saber, vou comer o que me der na telha, ao menos assim algum prazer eu vou ter. Foi uma hora em que simplesmente cansei...
Já não aguento sair de casa pra correr estou muito fraca fisicamente falando, sinto tonturas e uns sintomas estranhos. Como mais do que preciso, isto é fato.
E preciso melhorar isso, porque está uma vergonha. Ao menos me alimentar melhor, afinal não há necessidade de encher o prato de comida. Não há necessidade de comer o rondelli e a lasanha, dá pra escolher um, e depois um mousse de chocolate de sobremesa. 
O que mais freia as mudanças é que sinto que estou como uma casa de cartas, com um equilíbrio muito fino e frágil, e que se tirar alguma coisa, no caso a comida, vou desmoronar. Racionalmente não é verdade, afinal, uma dieta só vai me fazer bem. É que diante de tantas privações emocionais, físicas criei essa falsa estabilidade patológica. Tenho sim muito medo de romper isso, e aí não conseguir me levantar.
É foda... não vejo muito sentido nisso tudo.  A vida é uma coisa estranha demais.
Assisto no Discovery Home and Health aquele programa em que os gordinhos vão para um acampamento pra perder peso, e quem mais emagrece ganha um prêmio em dinheiro. E lá, a treinadora fala: "estou pouco me lixando para a sua dor, o seu cansaço, você vai terminar essa série agora". Pode parecer maldade, mas ela os está ajudando... focar no objetivo final ao invés dos desconfortos transitórios.
Estou numa zona de conforto, e dói sair dela. Todas as vezes em que tentei só levei na cara. Isso não é desculpa, claro... tenho plena consciência que só vou melhorar quando me mexer um pouco mais.
Vou sair desse emprego atual daqui a seis meses e acho que ai vou estar mais em paz pra fazer as mudanças necessárias. Agora não consigo nem respirar direito.



Tempo


 Para algumas pessoas o tempo é subjetivo.. pode passar mais rápido ou mais lentamente. Outras diriam que o tempo é simplesmente tempo, e não haveria variações. Ultimamente sinto que os anos passam rápido, mas os dias duram uma eternidade. Eu estou sempre esperando acabar... seja lá o que for, a aula, o expediente, o programa de tv, o livro, sou muito apressada para o final, mesmo que não tenha nada de bom que me faça esperar que o tempo passe logo. E quando acaba... tudo começa de novo, e o que vejo não é um começo novo, e sim mais um dia pra esperar acabar. Como se construísse um castelinho de areia e o mar o dissolvesse, então lá vou eu, mais uma vez, fazer tudo de novo.
Tevem uma época da minha vida em que eu não me permitia pensar no passado. Porque eu tinha a impressão que ao pensar, tudo poderia se repetir, meio que uma superstição ( mas não deixa de acontecer de novo, pois ativamos os mesmos circuitos neurais que mimetizam a sensação que tivemos na época do acontecimento). E isso me obrigava a só olhar pra frente. Era ótimo. 
Mas aí chegou um dia que eu percebi que certos padrões se repetiam, e isso independente de qualquer coisa. E aí, me senti desamparada, sem controle, e fui deixando, aos poucos, os pensamentos do passado voltarem, e não lutava mais contra eles.. pensava, "pra que"? Atualmente tento lutar contra eles de novo, contra coisas ruins que me voltam à mente, pois parece que estou afundando na areia movediça, meu dia é cheio de lembranças... nos meus intervalos a merda do meu cérebro dá um jeito de me colocar lá... de novo. Então, é como se eu não tivesse paz.
Teve um dia, na terapia em que ele me perguntou: o que te deixaria feliz? Fiquei com ódio dele (mesmo ele não merecendo), porque não sabia responder essa pessoa. E porque, pra falar a verdade, estou tão desacostumada a alguém me perguntar algo que seria bom pra mim, que isso me parece uma subversão extrema que me causa muita perturbação. Sim, sei que sou louca....
Bom, agora que fui ao psiquiatra e ele me passou algumas opções de terapeutas, pretendo procurar um(a) novo(a) esta semana. Uma coisa que me deixa com o pé atrás com os terapeutas... nesta cidade ao menos, é que imagino que eles estejam acostumados a tratar dos problemas de mulheres cujo principal dilema existencial é que o namorado/peguete não ligou ou outros problemas fúteis...Não que eu ache que o meu problema é o maior do mundo, mas pqp, o que vejo de gente procurando o terapeuta sem que tenha aparentemente problemas sérios. Talvez eu seja preconceituosa, enfim...  sei que toda a dor é válida, só que admito que tem certas pessoas que querem fazer das suas questões mais do que realmente são. 
Inclusive me questiono muito, até que ponto eu estaria seguindo um padrão similar... mas penso que realmente preciso de ajuda, porque estou na merda. As coisas não tem sido fáceis nos últimos anos.
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* Muitas vezes não consigo fazer um parágrafo de conclusão, faltam elementos. Então meus textos parecem sem um fechamento mesmo. É mais frequente eu colocar algo que estou vivenciando naquele momento do que algo que já acabou e tive tempo para raciocinar e chegar a um parecer final, talvez seja por isso.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Psiquiatra/grupo trans/site de namoro

Hoje fui à psiquiatra nova, ela adicionou mais um medicamento e manteve o que eu já estava usando antes. Estou agora com Bupropiona e Venlafaxina, então, basicamente estaria otimizando os três principais neurotransmissores, serotonina, dopamina e noradrenalina. Vou dar uma chance, afinal, mal não vai fazer. Ela também passou algumas indicações de psicoterapeutas. Ela ficava anotando as coisas numa folha de papel sulfite enquanto falava comigo, me perguntando se ouvia vozes ou se já pensei em suicídio etc, é até engraçado. Ela ficou perguntando se não tenho amigos, se não tinha ninguém em que e confiasse, eu disse que não, tenho amizades superficiais apenas... particularmente, tenho a impressão que as relações humanas mais tiram do que  acrescentam. Porém uma parte de mim queria sim ter amizades, ter o meu grupo, aquela coisa dos amigos, que são a família que escolhemos. Muitas vezes me pergunto se algum dia acharei isso ou se ficarei avulsa ad eternum...
Hoje estava em um grupo no facebook de trans e só por não colocar muitas informações, elas me chamaram de fake, viado e outras coisas, assim do nada. Fiquei meio triste, sei que parece bobagem, por ser algo virtual, porém é chato ser atacada sem motivo aparente. Não consigo entender como pessoas que passam por todas as dificuldades relacionadas a ser transgênero conseguem ser tão escrotas.
outro assunto sobre qual eu já queria falar há algum tempo... Há alguns meses havia entrado num daqueles sites de namoro.. no início no meu perfil não tinha nada dizendo que eu era trans, só a minha foto e as outras informações necessárias. Tive até um bom retorno, a princípio, mas ficava aquela coisa chata de eu ter de contar que era trans e o cara mudar de atitude, então resolvi colocar logo de cara no perfil que sou trans, assim só falaria comigo quem não tivesse nenhum problema com isso. O que notei é que embora muita gente visitasse o meu perfil, poucos de fato iniciavam algum contato comigo. Eu já devia esperar isso, claro, mas o fato é que rejeição é um saco...
Fica bem claro que você só arruma alguém quando não precisar de fato de ninguém, ou seja quando estiver feliz e realizada o suficiente consigo mesmo(a)... só que tenho tanto trabalho a ser feito nesta área, tanta coisa pra melhorar na minha personalidade, auto-estima... que parece impossível, seguindo esta linha de raciocínio, que eu encontre alguém antes dos meu 76 anos rsrs. É chato porque bate a carência, tem dias que me sinto um lixo. Claro que ninguém ficaria comigo desse jeito... ou ao menos não uma relação saudável. Se bem que vejo muita gente digamos pouco evoluída em relacionamentos, então não sei até que ponto essas teorias se aplicam. Não se pode apressar o tempo. Uma coisa eu sei... se eu estiver bem em todas essas coisas que preciso melhorar em mim mesma, provavelmente nem vou querer um namorado... aí acho que eu vou querer ficar sozinha.



segunda-feira, 24 de junho de 2013

If you can't make it, fake it.

Se não dá conta, então finja. É o que vou tentar me esforçar para fazer de agora em diante. Não estou bem, casada, passando mal e deprimida, só que quero agir como uma pessoa mais produtiva. O fato é que fico me entregando muito e me permitindo ficar tempo mais sem fazer nada, e isso no mínimo não está ajudando. Então, mesmo não garantindo que eu vá tão bem quanto espero, esta postagem é uma forma de deixar por escrito, até para eu me cobrar, esse compromisso que quero ter comigo mesma. Afinal, já me sinto fisicamente mal mesmo, acho que não pode piorar... chega de ficar o dia todo na cama quando não estou trabalhando. E também não quero ficar tanto tempo na internet quando podia fazer outras coisas também. Sinto que quanto mais fico na internet, mais deprimida me torno. Então, vou organizar melhor as coisas.
Tenho o telefone de uma boa psiquiatra pra rever a poha desta medicação, mesmo achando que não tenha muito que ela possa fazer, e procurarei um novo psicólogo. Quem sabe ela me indica alguém.


Passei mal

Estou com náuseas horríveis desde ontem. Hoje faltei ao trabalho e fiquei em casa, praticamente o dia todo na cama.
Navegando na internet, encontrei uma notícia de uma transexual do Peru, que era casada com um europeu, e alguns anos após a cirurgia largou do marido e da sua vida feminina, para voltar a ser homem em  nome da religião. Olha, se tem algo que aprendi é que o ser humano é muito complexo e que não se pode julgar ninguém, há muitas circunstâncias e eu não saberia o que se passou com este senhor, porém esses casos, no meu entendimento ferem muito as pessoas transexuais em geral, porque servem de argumento para aqueles que dizem, viu fulano se arrependeu, encontrou Deus, e não sei mais o que...
Já tinha lido sobre alguns casos de arrependimento mas eram em geral  pessoas que iniciaram a transição mais tarde, geralmente com um passado de crossdresser, casados, que não conseguiram se adaptar a vida de mulher que se mostrou diferente de suas expectativas fantasiosas. Este é um dos primeiros casos em que uma pessoa que fez a mudança mais jovem e tinha, aparentemente, uma inserção social satisfatória no gênero alvo, que reverte a sua transição.
Aliás, tem um cara que criou um site sobre o assunto tentando dissuadir pessoas trans a se operarem porque não deu certo pra ele... o que é ridículo. Querer estender a sua experiência e idéias aos demais é um absurdo. Também não sei se é culpa do psicólogo/psiquiatra, porque essas pessoas mentem muito... o que vejo de gente que acredita numa mentira que contou a si próprio(a) e é eficaz em fazer os outros acreditarem também... no final cada um tem que arcar com as consequências das próprias decisões, independente de laudos.


sexta-feira, 21 de junho de 2013

A principal razão de ter montado este blog é, como diz o nome, essa angústia, que sempre foi clandestina porque procuro me mostrar uma pessoa feliz, sorridente e que nunca reclama. As pessoas tem os seus próprios problemas e dores e não gosto de ficar ocupando o tempo alheio com os meus problemas, acho que isso é coisa de gente sem noção. Quando se fala em  clandestinidade, mesmo que esse não seja o significado real da palavra, remete-se a uma coisa errada, feitas às escondidas, algo que tem de ser mantido oculto. Todos sabem que depressão/tristeza é algo que não cabe na nossa sociedade. Mas há tanto dentro de mim que precisava falar, que mesmo sem eu perceber ia me corroendo por dentro, me fazendo cada dia menos gente, mais robótica... então foi a forma que encontrei para tentar lidar com isso.
Claro que um blog não faz milagres. Pretendo procurar um novo psico e rever a minha medicação urgente... apenas escrevo porque naqueles raros momentos em que consigo me expressar sem tantas amarras e me aprofundar um pouco mais dentro de mim mesma, fico mais perto de achar algum sentido dentro de todo esse caos. E depois de tanto tempo sem escrever vejo que estou muito longe do que queria expressar... lidar com palavras é difícil, acho que vai levar algum tempo antes que consiga.
É estranho porque primeiro que este é um blog que quase não tem leitores, estou anônima, não exponho dados que possam revelar minha identidade, só que mesmo assim, dá aquela sensação ruim, como se tivesse medo de ser julgada, sei lá. Este é um blog repetitivo, pois embora eu tenha muito lados, o que estou vivendo agora é isso, e é isso que vou manifestar... não haveria muito sentido em postar amanhã que fez um dia lindo com muitos pássaros e flores, só para não soar repetitiva, pois aí eu estaria sendo hipócrita. neste momento vejo a vida como uma grande merda... procurarei expandir os assuntos, mas dentro de uma variação que seja condizente com o que vivencio agora. Por que será que fico me justificando rsrs
Tenho uma pilha de apostilas para estudar, fazer faxina na casa e resolver mais alguns assuntos... e estou aqui, sentada.  Tomei até ritalina achando que ia conseguir botar as coisas em dia, ledo engano.
Queria ser mais resolutiva... nunca vou chegar num final de semana sem fazer absolutamente nada... eu faço o mínimo necessário para não me sentir tão culpada mas não o suficiente para ter algum efeito prático. Se tenho de ler cinco capítulos de algum material, eu leio só dois, e passo os olhos nos seguintes, só pra dar aquela noção geral e não reprovar na faculdade. Se tenho de limpar a casa toda, eu limpo só o que está pior e vou deixando o resto. Se estou engordando, dou uma segurada para pelo menos perder um ou dois kilos ou não engordar tanto quando voltar a comer novamente. Sou cheia de paliativos... sempre regular. A falta total, o zero é assustador demais.
Saudades da época em que eu era diferente. Uma Cristine melhor, mais forte. Saudades da época em que eu me sentia no direito de querer, de desejar, de ficar brava quando faziam algo que me incomodava, de sair quando achava necessário. Sinto falta dessa época, em que não achava que precisava me desculpar com todo o universo por sentir as coisas, por existir.. uma época em que eu não tinha internalizado tanta porcaria. Quando não planejava o meu dia para conseguir o máximo de tempo dormindo, e que comer e dormir não eram as minhas prioridades top... às vezes custo a acreditar que essa pessoa existiu.
Tenho de entregar uma documentação que requer o número do certificado de reservista. Eu tenho o maldito certificado, porém não estou achando... tenho uma pasta na qual guardo todos os documentos importantes e não está lá. Eu revirei tudo, joguei vários papeis no chão, procurando pelo documento, mas não achei. Vou ter de tirar uma nova via. O problema é que fui na minha cidade natal para fazer o alistamento na época, e estou morando num lugar longe... segundo as informações que procurei, teria de voltar no mesmo lugar para pegar uma segunda via, que demora quatro meses, prazo que excede o tempo que tenho para entregar essa documentação.
Não queria cair no erro de sofrer por antecipação, porém não consigo deixar de pensar nos constrangimentos que posso passar, e isso não é nem a pior parte. Do jeito que as coisas vão, mal consigo me levantar da cama para ir ao trabalho, quem dirá ficar viajando, aguentando pessoas que me conheceram pré-transição, idiotice de tenentes/sargentos metidos à besta.
Depressão é uma merda mesmo, se eu tivesse entrado com o processo de mudança de nome antes, quem sabe agora o mesmo estaria concluído e eu, como pessoa do sexo feminino judicialmente falando, não precisaria passar por isso. Mas fico quase congelada na hora de tomar certas atitudes... só quero saber de dormir quando não estou trabalhando e tem sido assim nos últimos anos, então, mesmo sabendo que era importante, acabei comendo bola.
Paradoxalmente, uma parte de mim nem se importa tanto... às vezes me assusto com o desleixo que tenho comigo mesma. E não é desleixo de andar como uma maltrapilha, não é nada que possa ser visto externamente... a minha negligência comigo mesma é justamente nas coisas internas, e depois quem se fode sou eu.  Passo a vida empurrando com a barriga, e é triste saber disso e não conseguir fazer nada à respeito. Pare de mim sequer sente-se digna de fazer algo melhor, por pensar que eu só mereço isso mesmo.
Gostaria muito de poder vencer essa inércia...
Eu acho essa vida um inferno, aliás, isso não é vida. Por isso preferia estar morta.


domingo, 16 de junho de 2013

Vai sair esse final de semana? ¬¬

É uma segunda postagem, logo em seguida da outra, porque já faz tempo que queria falar nesse assunto. Bom, já havia comentando esses dias da minha última experiência com a balada. Eu na verdade só fui porque a minha amiga ficou enchendo o saco, dizendo que eu nunca saio, como se fosse um pecado e acabei indo. Só que pra ser bem honesta: eu odeio sair. Sim, ODEIO. E sempre fui tratada como uma et por isso, sempre ouvi que não posso viver só comendo, dormindo, trabalhando e ficando na internet. Mas eu nunca gostei de sair em público, confesso que tenho medo de gente, de relações sociais em geral, não que eu não sabia me relacionar, mas não me interessa tanto nesse momento e acho que nunca me interessou,. E mesmo que fosse pra sair em um lugar que não tem muita gente, tudo me parece tão chato, não vejo vantagem nenhuma em sair pra qualquer lugar que seja, só entraria no hall de obrigações que já cumpro. Ficar em casa, apesar de ser considerado uma zona de conforto, é de certa forma a única coisa que faço porque quero, em que tenho a escolha ( mesmo que muita gente argumente que não é escolha, porque tenho medo).Claro que posso estar errada, e ter de rever essa atitude um dia, mas já fui tão cobrada por isso que peguei uma raiva dessa obrigação social e de ter de me esforçar pra conseguir encontrar prazer em algo que não é nem um pouco prazeroso pra mim. Prefiro mil vezes minhas horas de sono do que ir pra algum lugar, balada, barzinho ou o que for, pra chegar em casa de madrugada e estar podre no dia seguinte. Um dia  um amigo me falou: Cristine, mas é a mesma coisa que comida, você pode não querer comer, mas precisa do alimento, algo nessa linha, e eu disse, ok, mas eu não PRECISO sair, não estou negligenciando uma necessidade básica... aí ele disse que sim, eu preciso, e questionei sobre a razão disso? Ele retrucou dizendo que todos tem essa necessidade, e eu quase tive de mandá-lo àquele lugar, mas não o fiz... é uma generalização estúpida demais. O que define necessidade? A perspectiva de terceiros?
Eu queria ter coragem de me desafiar mais nesse aspecto, só que nesse momento a verdade é que: odeio o meu corpo, a minha aparência ( mesmo não sendo considerada feia), odeio essa merda de cidade, 99% das pessoas com quem convivo, estou deprimida, com a mente toda fodida e com vontade de sair xingando todo mundo. A última coisa que preciso é sair. Isso de que é bom ver gente, se distrair, não concordo, é uma simplificação totalmente nonsense neste caso.

Estudo/visita da mãe

É difícil trabalhar e estudar... eu não sou o tipo de pessoa que consegue pegar os conteúdos assim, facilmente, preciso pegar o negócio pra ler com calma, revisar, praticar... só que chego em casa tão cansada  que não tenho conseguido fazer isso, e é uma sensação frustrante. Costumava ser uma boa aluna, mas nos últimos anos parece que criei um déficit cognitivo. Não sei se é a depressão que criou essa preguiça mental e falta de iniciativa/interesse... já procurei até um neuro achando que podia estar com algum tipo de doença, mas não foi detectado nada.
Sinto falta da época em que fixava um objetivo e conseguia realizá-lo... mas é quase como se eu tivesse medo de desejar as coisas, porque criei quase um trauma, boa parte do que desejei e conquistei acabou se voltando contra mim, de certa forma. Talvez se não tivesse feito certas escolhas não estaria tão próxima de pagar minha cirurgia e as plásticas, mas isto trouxe algumas cicatrizes emocionais que não consegui superar ainda.
Sempre há esse dilema entre assistir as aulas ou simplesmente sentar a bunda na cadeira e estudar. Se por um lado, indo na aula você garante que pelo menos terá algum contato com o assunto, em casa é bem provável que eu vá procrastinar e nem ver nada, embora o estudo individual seja sem dúvidas mais eficiente.
Neste fina de semana a minha mãe veio me visitar. Hoje em dia ela aceita a minha transexualidade e diz que se orgulha de mim, só que por se importar muito com o que as pessoas pensam, ela sente vergonha da minha condição, então não faço muito parte da vida dela; ela sempre me escondeu de todos. Mas ainda mantemos contato, sei que apesar de ser uma pessoa extremamente problemática, que incutiu em mim coisas que não sei se vou conseguir superar tão cedo, ela se importa comigo. Consegui chegar num ponto em que consigo interagir com ela sem sentir tanta mágoa. Mas somos estranhas uma para a outra em tantos aspectos. O último psicólogo em que fui disse que eu fui muito privada dessa questão afetiva e deu a entender que isso comprometeu o meu desenvolvimento. Só que não acho que sou uma aleijada emocional, eu sei demonstrar afetividade, apesar de aparentar ser uma pessoa fria, segundo alguns.
Bom, poderia ser pior; tem uma pequena parte de mim que acredita que as coisas podem ser melhores.



sábado, 15 de junho de 2013

Tem aquele conto do ovo, café e da cenoura, que ao serem colocados em contato com a água quente, reagem de maneiras diferentes: o ovo toma uma consistência mais dura, a cenoura amolece e pó do café se transforma na bebida, querendo dizer que diante das adversidades, podemos nos tornar mais pétreos, ou ficar mais molengas, medrosos ou, como o autor diz, ser como o café, que diante do calor da água quente, se tornou algo melhor, o elemento que teria reagido da forma certa diante das dificuldades... Claro que como tudo na vida, nada é 100%, mas acho que apesar da minha raiva e sarcasmo, acabei ficando mais molenga diante de coisas da vida que queria poder contar aqui. Sabe, eu tomei um certo medo de ser eu mesma, e nem sei mais o que sou... Como aquele livro A Hora da Estrela, em que a personagem sabe que é virgem e trabalha como datilógrafa, mas fica por isso mesmo. Tenho noções gerais sobre quem eu sou, mas tenho receio de me aprofundar, porque não quero tomar conta de traços da minha personalidade que, uma vez percebidos, passam a fazer parte de mim de forma mais real, e isso me machucar, devido ao contexto vigente. É como sentir fome sem saber que essa sensação é aliviada ao ingerir algum alimento, num contexto em que não há comida disponível. Já é ruim a barriga roncando, a fraqueza, não doeria ainda mais saber que isso podia ser aliviado se a pessoa se alimentasse, mas não tem nada pra comer?  Não sei se me fiz clara, afinal é um exemplo bem falho, mas não consegui pensar em algo melhor pra explicar, até porque é difícil explicar algo subjetivo com algo palpável...( e mais ainda algo subjetivo com outra coisa também subjetiva rs)
Claro que se as coisas fossem totalmente desapercebidas não estaria escrevendo sobre esse incômodo em não senti-las, sei que está lá, mas não quero chegar muito perto pra não me foder emocionalmente, porque sei que seria difícil me levantar.
Vou abstraindo, ignorando, mas tenho medo que volte...


RuPauls Drag Race, um programa didático

Este programa é um dos que mais gosto de assistir, ultimamente. Trata-se de uma competição de drag queens, com um estilo parecido com o Project Runaway. Sempre curti a cultura gay, e quando se juntam vários homens gays com o ego inflado e uma vaidade infinita, você tem um ótimo entretenimento.
Eu coloquei no título que é um programa didático porque aprendi muita coisa sobre me impor com aquelas gays que jogam martini nas perucas uma das outras, quando insultos e indiretas são jogados. Saber responder com aquele wit é algo importante, no ambiente escroto que vivo.
Na verdade elas até tem um termo para isso... chama-se "reading", quando uma pessoa "lê" os defeitos da outra com o intuito de insultá-la. Claro que não vou xingar todo mundo a torto e a direita, nem daquela maneira escrachada, é mais uma adaptação para o contexto em que vivo.
Um outro motivo que me faz gostar deste programa é a trilha sonora... com exceção de algumas músicas da Miley Cyrus e Willow Smith, em geral as músicas que as drags dublam são bem escolhidas.
Além do mais, é interessante ver como há preconceito inclusive entre as próprias drag queens, seja da estilosa contra a pão com ovo iniciante, ou da pageant girl contra a drag alternativa, enfim.




sexta-feira, 14 de junho de 2013

A balada

Saí com algumas amigas para uma balada aqui em Santa Catarina, já faz uma semana... fiquei esse últimos dias pensando sobre e quis postar, sem saber direito sobre o que escrever... Sou tão a favor de scripts - por isso sempre gostei tanto de teatro... entretanto aquilo parecia uma peça cafageste super mal encenada, em que não via nada de diferente. As mulheres competindo uma com as outras para ter a atenção dos homens.. quase se degladiando com o olhar... parecia um leilão de animais, só que você não julgava a pelagem e dentição e sim o tamanho do seio, a marca da bolsa, o bronzeamento artificial, o corpo trabalhado na academia, e nisso as pessoas recebem "notas", valores, conforme sua beleza e sua roupa. As que faziam mais sucesso, por serem as mais bonitas, eram objeto de ódio, raiva por parte das outras. E os homens tentando encontrar a próxima transa para a madrugada... se as mais bonitas não iam, eles procuravam as não tão bonitas, portanto de menos "valor", muitas sem auto-estima alguma ( mas que estão saindo e se divertindo e curtindo o final de semana, e sendo "felizes", tendo uma vida social ativa), que ao serem abordadas pelo sexo oposto se sentiam validadas e iriam acordar no dia seguinte com o rimel borrado esperando uma ligação que nunca viria. No meio de tanta gente que realmente só queria curtir( embora eu nunca tivesse entendido o que isto significaria...) ficava imaginando quantas pessoas realmente queriam estar lá, e o que realmente procuravam naquele lugar. Como diz a música, "todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite".
Teve um cara que tentou puxar assunto comigo ( fiquei pensando será que ele tentou com as outras de nota maior... em que categoria ou ordem de preferência eu estaria? rs), ficou pegando no meu braço... fui super fria com ele... por algo que o coitado nem tinha feito... mas não podia deixar de imaginar o que ele falaria se soubesse quem eu realmente sou, o que está no meu rg, a expressão de espanto tentando fingir uma normalidade e perturbação. Ele me passou o telefone, mas joguei no lixo ( com dó, porque era até bonitinho). Depois fiquei segurando o cabelo da minha amiga que vomitava no banheiro e voltamos pra casa.
Não sei se sou amarga ou se o mundo é muito chato mesmo.

Meus procedimentos até agora

-Hormonioterapia: dois anos.
-Laser light sheer: 8 sessões
-Eletrólise: 5 sessões, principalmente em buço e queixo.
-Tight lacing: 2 meses, com corset da black cat
-Silicone: 500 ml em cada seio, há 4 meses
-Preenchimento com Restylane nas maçãs do rosto e lábios: há um mês.
-Megahair: desde que me assumi como mulher, há um ano
Tratamento com fono: nem devia listar aqui, porque me ajudou pouco. A voz mudou mais com os tutoriais da internet e prática constante.

Nos próximos 12-15 meses pretendo fazer a CRS e dar um jeito na minha testa, se Deus quiser com Chettawut.



Estrelle feelings

Nunca entendi a razão pela qual algumas meninas são tão obsessivas com os inúmeros tipos de comprimidos para hormonioterapia, qual o melhor qual o pior... vc toma estradiol+antiandrógeno nas doses adequadas, que são encontradas em qualquer lugar. Finito.
Enfim, eu tomo ciproterona 50mg e 6 comprimidos de estrellle ao dia, com 1 perlutan mensal. Estou satisfeita, só que ando muito irritada ultimamente, vivo na tpm todos os dias. Claro que eu me contenho, porque se tem uma coisa que eu detesto são essas desculpas de problemas hormonais/pessoais ou o que for, pra justificar grosseria. Eu sempre pareço calma mas por dentro estou xingando a mãe de todo mundo hhaha

Psicólogos

Todas nós sabemos o quão importante é a avaliação psicológica para a nossa condição, uma vez que é necessário o laudo do profissional para a cirurgia. Felizmente, este eu já tenho. Só que a psico que me acompanhou nos primeiros dois anos da minha transição não sabia muito o que me dizer, toda vez que eu trazia um problema, um conflito, ficava meio que por isso mesmo; não que ela não se importasse, ela parecia sim se sensibilizar com o meu sofrimento, só que acho que ela oferecia mais um tratamento de suporte para eu aguentar a barra, mas não com vistas a melhorar as coisas, sei lá... Gosto muito dela, mas optei por mudar de psicólogo, e então fui num psico homem. Fiquei lá quase cinco meses, interrompi recentemente, porque enquanto a anterior só observava e me escutava, e não achava que eu tinha de mudar nada este fazia o contrário, não me deixava falar, e fazia comentários que eu acho que são no mínimo sem noção para a minha realidade. Ele é congnitivo-comportamental e usava vários chavões como por exemplo: você tem que agir pró-ativamente para mudar o que lhe incomoda no ambiente em que vive e assim ser mais feliz e ter respostas emocionais mais adequadas. Tudo isso é muito lindo na teoria, mas sou uma trans que precisa juntar dinheiro para a cirurgia, já que emprego não é uma coisa fácil nessa situação... trabalho em média 12 horas por dia, claro que vou ficar estressada, claro que meus chefes/colegas ficam comentando de mim, tirando sarro e isso me magoa, mas vou fazer o que? tentar me defender pra depois sobrar pra mim? Infelizmente, eu tenho que engolir o choro todo santo dia e continuar, não por que eu goste, mas porque faz parte de ser adulta, arcar com as coisas ruins quando necessário. Aí ele falava: você tem que ter lazer... tipo, wtf, você acha que eu não gostaria de ir ao shopping, ao cinema e fico trabalhando porque sou workaholic? Óbvio que não, estou lá porque não me liberam né... como vou ter lazer? Só se pedir demissão haha
Só que sinto a necessidade de ter um auxílio na parte psicológica, alguém que me escutasse, com quem pudesse desabafar sabe. O jeito é continuar procurando. Por enquanto ainda não procurei um terapeuta novo, estou digerindo este último :P

sexta-feira, 24 de maio de 2013

É difícil começar a escrever sobre coisas tão particulares, porém sinto uma necessidade muito grande de desabafar. Começo me apresentando... transexual de 24 anos, guardando dinheiro para a cirurgia, tentando viver sozinha na cidade (não tão) grande. Acima disso, diria que sou uma pessoa cansada... trabalho bastante e o tempo que não trabalho uso para dormir e assistir tv, estudar, etc. Mas não é só um cansaço físico, é algo que vai além disso. É a exaustão decorrente de tantos anos sendo humilhada por ser quem eu sou, por sentir-me tão avulsa nesse mundo, cansada de me sentir inferior, de nunca ser boa o bastante, cansada de ter medo. Estou cansada de ter de segurar o choro e ir à diante, porque tenho de trabalhar e essa cirurgia não vai se pagar sozinha. Estou cansada de ver as meninas da minha idade conversando sobre namorados e baladas e eu, secretamente, ressentindo-me com isso, pois são coisas que não tenho/tive. Cansada de me sentir um et nesse mundo; de ter de tomar antidepressivos e estimulantes para aguentar o dia, e muitas vezes não conseguir parar em pé porque passo mal. Sim, estou cansada; cansada de não ser uma figura igual, de ser aparentemente um desconforto para aqueles que estão ao meu redor, e sentir que tenho de pedir desculpas por isso. Cansada de ter pesadelos com coisas do passado que ainda não conseguir superar emocionalmente. Estou cansada de não ter forças, de me sentir fraca e ter de fazer duas, três vezes mais esforço do que normalmente faria, só pra concluir um trabalho simples. Cansada de não conseguir me impor com as pessoas que trabalho quando fazem algo que não concordo. E sabe o que ocorre com todo esse cansaço? Vai consumindo a pessoa, dia após dia, tirando qualquer tipo de alegria de viver, qualquer esperança. Chega um momento que você já não sabe mais o que é, que tipo de música gosta, quais são os seus sonhos... você se perde dentro do buraco causado por tanto sofrimento. Mas, não há outra opção senão continuar, e esperar sobreviver mais um pouco, mesmo sem saber do que isso adiantaria.