terça-feira, 6 de agosto de 2013

Um dos motivos de eu detestar a minha mãe...

Eu admito, não sou boa em perdoar. Tenho a impressão que com certos tipos de pessoa, não adianta você esquecer ou relevar, porque a) elas não merecem; b) elas vão errar de novo e você vai se sentir idiota de ter perdoado.
Minha mãe nunca foi boa com uma coisa que é fundamental para quem tem filhos: responsabilidade. Talvez seja por isso que eu seja tão ligada nas minhas obrigações, deveres, de forma até meio patológica às vezes... ser criada por uma pessoa como ela deixa tantas cicatrizes, que tudo que eu queria era me diferenciar disso, ser exatamente o oposto.
Ela vivia no mundo dela, com suas próprias necessidades e dramas, e se esquecia de coisas básicas, como nos alimentar, ou ir buscar na escola. Claro que nunca se esquecia dos seus compromissos sociais, para deixar a mim e os meus irmãos sendo cuidados por pessoas que não estavam afim. Isso quando não ia puxar o saco da minha avó, tias ou amigas, e nos deixava com um pai em ressaca, super agressivo que me deixava com medo até de respirar perto dele.
Minha mãe nunca ganhou mal, apesar de não sermos ricos, ela era concursada pública na área da saúde, tinha condições de ao menos não deixar faltar comida rs. E não é que ela quisesse que a gente passasse fome, por maldade ou algo assim. É que por alguma razão, aparentemente, ela não tinha faculdades cognitivas mínimas para entender que seres humanos de menos de 10 anos não sabem cozinhar, não fazem fotossíntese e assim, precisam de alguma ajuda no processo tão supérfluo da alimentação.
Esta criatura não tinha grana para pagar uma escola particular ou um curso de inglês ( mesmo que os seus colegas da mesma área o fizessem), mas tinha dinheiro ( ou crédito), para dar 3 mil para o meu pai bêbado desempregado comprar um carro usado, porque assim, nas palavras dela, ele a deixaria em paz ( obs, isso aconteceu umas três vezes, ele sempre vendia a merda do carro e gastava em bebida).
Falando em escola ( estou rancorosa eu sei...), esta anta não sabia nada sobre a minha vida escolar. Ela sabia apenas que eu era a primeira da classe, o que já era o suficiente, porque assim não daria problemas (sim, já que essa era a minha missão fundamental nesse mundo, não dar problema a uma mente tão complexa e inteligente). Ela não precisava, portanto, ir às reuniões, no máximo mandava a empregada. Não sabia o nome dos meus amigos e porque não dizer... sequer se interessava pelo fato de eu apanhar quase que diariamente depois da quinta série, ou o professor física ficar passando a mão em mim e todas essas violências que infelizmente são rotinas para muitas pessoas transexuais.
Quando eu passei no concurso que permitiu eu ter o trabalho que tenho atualmente, ela melhorou um pouco. Na verdade até antes, porque ainda morava na minha cidade natal eu  joguei tudo isso na cara dela, de uma forma bem agressiva, que é o único jeito de ela entender...e ela melhorou uns 10%
O fato é que agora, sabendo que eu estou mal, pensando em suicídio, isolada, ela nem se importa em fazer uma ligação e perguntar se estou bem. O mais triste, é que de toda a minha família, principalmente depois que me assumi transexual, ela é a mais próxima.
Não, não perdôo.

Um comentário:

  1. Meus pais cuidaram de mim no básico, mas no lado psicológico eles simplesmente me detonaram totalmente. Tem pessoas que não deveriam ter filhos.

    Beijocas

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