Hoje fui à psiquiatra nova, ela adicionou mais um medicamento e manteve o que eu já estava usando antes. Estou agora com Bupropiona e Venlafaxina, então, basicamente estaria otimizando os três principais neurotransmissores, serotonina, dopamina e noradrenalina. Vou dar uma chance, afinal, mal não vai fazer. Ela também passou algumas indicações de psicoterapeutas. Ela ficava anotando as coisas numa folha de papel sulfite enquanto falava comigo, me perguntando se ouvia vozes ou se já pensei em suicídio etc, é até engraçado. Ela ficou perguntando se não tenho amigos, se não tinha ninguém em que e confiasse, eu disse que não, tenho amizades superficiais apenas... particularmente, tenho a impressão que as relações humanas mais tiram do que acrescentam. Porém uma parte de mim queria sim ter amizades, ter o meu grupo, aquela coisa dos amigos, que são a família que escolhemos. Muitas vezes me pergunto se algum dia acharei isso ou se ficarei avulsa ad eternum...
Hoje estava em um grupo no facebook de trans e só por não colocar muitas informações, elas me chamaram de fake, viado e outras coisas, assim do nada. Fiquei meio triste, sei que parece bobagem, por ser algo virtual, porém é chato ser atacada sem motivo aparente. Não consigo entender como pessoas que passam por todas as dificuldades relacionadas a ser transgênero conseguem ser tão escrotas.
outro assunto sobre qual eu já queria falar há algum tempo... Há alguns meses havia entrado num daqueles sites de namoro.. no início no meu perfil não tinha nada dizendo que eu era trans, só a minha foto e as outras informações necessárias. Tive até um bom retorno, a princípio, mas ficava aquela coisa chata de eu ter de contar que era trans e o cara mudar de atitude, então resolvi colocar logo de cara no perfil que sou trans, assim só falaria comigo quem não tivesse nenhum problema com isso. O que notei é que embora muita gente visitasse o meu perfil, poucos de fato iniciavam algum contato comigo. Eu já devia esperar isso, claro, mas o fato é que rejeição é um saco...
Fica bem claro que você só arruma alguém quando não precisar de fato de ninguém, ou seja quando estiver feliz e realizada o suficiente consigo mesmo(a)... só que tenho tanto trabalho a ser feito nesta área, tanta coisa pra melhorar na minha personalidade, auto-estima... que parece impossível, seguindo esta linha de raciocínio, que eu encontre alguém antes dos meu 76 anos rsrs. É chato porque bate a carência, tem dias que me sinto um lixo. Claro que ninguém ficaria comigo desse jeito... ou ao menos não uma relação saudável. Se bem que vejo muita gente digamos pouco evoluída em relacionamentos, então não sei até que ponto essas teorias se aplicam. Não se pode apressar o tempo. Uma coisa eu sei... se eu estiver bem em todas essas coisas que preciso melhorar em mim mesma, provavelmente nem vou querer um namorado... aí acho que eu vou querer ficar sozinha.
Não sei nem se deveria estar dando pitaco na sua vida aqui, não sei o quanto gosta ou quer isso. Mas acho que no momento que a pessoa escreve um blog e abre os comentários é porque de uma certa maneira quer ouvir a opinião alheia.
ResponderExcluirMudar a medicação quando não está surtindo efeito, é essencial na depressão.
Grupos de transexuais na internet já frequentei vários, e já fui dona de um que fez um grande sucesso lá por volta de 2004, mas tive todos esses problemas que relatou e muito mais. Sim as pessoas são preconceituosas demais mesmo quando sofrem o preconceito na pele, foi o que de maior aprendi nesses grupos.
Quanto a site de relacionamentos já frequentei alguns, e o mais importante deles, o Parperfeito eu usei para conhecer homens e conheci muitos pessoalmente, dezenas, fora as dezenas que mantive longos papos virtuais. O que tirei disso é que não funcionou para mim, quando eu colocava no perfil que era trans, só aparecia cara interessado em sexo, quando omitia e contava depois ouvia os piores desaforos. Uma parcela pequena dos homens aceitavam, mas dessa parcela nada foi pra frente. Então pode ser que funcione para alguém, para mim não deu certo.
A impressão que tenho pelos seus textos é que você se fechou muito para o mundo numa forma de defesa, esse comportamento é mais comum do que se pensa entre as trans, eu mesma acho que ando meio assim, mas não por conta da transexualidade. Mas já estive na ostra na fase da transição. A gente só consegue se relacionar bem com o mundo se a gente estiver minimamente bem com a gente, caso contrário todos os relacionamentos até podem começar bem mais naufragam mais a frente.
Beijocas
Oi Dama, sempre gosto de ouvir opiniões, as suas principalmente são muito bem vindas.
ResponderExcluir