domingo, 16 de junho de 2013

Estudo/visita da mãe

É difícil trabalhar e estudar... eu não sou o tipo de pessoa que consegue pegar os conteúdos assim, facilmente, preciso pegar o negócio pra ler com calma, revisar, praticar... só que chego em casa tão cansada  que não tenho conseguido fazer isso, e é uma sensação frustrante. Costumava ser uma boa aluna, mas nos últimos anos parece que criei um déficit cognitivo. Não sei se é a depressão que criou essa preguiça mental e falta de iniciativa/interesse... já procurei até um neuro achando que podia estar com algum tipo de doença, mas não foi detectado nada.
Sinto falta da época em que fixava um objetivo e conseguia realizá-lo... mas é quase como se eu tivesse medo de desejar as coisas, porque criei quase um trauma, boa parte do que desejei e conquistei acabou se voltando contra mim, de certa forma. Talvez se não tivesse feito certas escolhas não estaria tão próxima de pagar minha cirurgia e as plásticas, mas isto trouxe algumas cicatrizes emocionais que não consegui superar ainda.
Sempre há esse dilema entre assistir as aulas ou simplesmente sentar a bunda na cadeira e estudar. Se por um lado, indo na aula você garante que pelo menos terá algum contato com o assunto, em casa é bem provável que eu vá procrastinar e nem ver nada, embora o estudo individual seja sem dúvidas mais eficiente.
Neste fina de semana a minha mãe veio me visitar. Hoje em dia ela aceita a minha transexualidade e diz que se orgulha de mim, só que por se importar muito com o que as pessoas pensam, ela sente vergonha da minha condição, então não faço muito parte da vida dela; ela sempre me escondeu de todos. Mas ainda mantemos contato, sei que apesar de ser uma pessoa extremamente problemática, que incutiu em mim coisas que não sei se vou conseguir superar tão cedo, ela se importa comigo. Consegui chegar num ponto em que consigo interagir com ela sem sentir tanta mágoa. Mas somos estranhas uma para a outra em tantos aspectos. O último psicólogo em que fui disse que eu fui muito privada dessa questão afetiva e deu a entender que isso comprometeu o meu desenvolvimento. Só que não acho que sou uma aleijada emocional, eu sei demonstrar afetividade, apesar de aparentar ser uma pessoa fria, segundo alguns.
Bom, poderia ser pior; tem uma pequena parte de mim que acredita que as coisas podem ser melhores.



Um comentário:

  1. Aceitar e ter vergonha de você é um paradoxo, acho mesmo que ela simplesmente não aceita mas está tentando. Minha mãe nem sei se tentou ou tenta, mas nunca conseguiu, fingi que aceita e eu finjo que acredito, mas mantenho distância da família, que descobri que é o melhor caminho.

    Não sei se você toma Androcur, se toma ele pode causar muita depressão, muitas meninas eu vi ficarem mal com ele, eu mesma fiquei quatro anos em depressão severa por conta dele. Mas ainda é o melhor antiandrogênico.

    Beijocas

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